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Revista Canteiro – 2014 – Ano 1 / Número 1.

 

Sejam bem vindos ao nosso canteiro!

 

A Revista Canteiro é um periódico anual que tem como objetivo a divulgação dos trabalhos acadêmicos construídos em torno de estudos urbanos nos cursos da Universidade do Estado de Santa Catarina em Laguna (CERES - UDESC). O espaço da revista constitui um circulo de discussão a fim de contribuir para a qualificação coletiva e possibilitar aos alunos e professores do CERES uma colaboração cada vez mais orgânica e abrangente.  É um espaço unitário que visa contribuir para o trabalho de pesquisadores independentes e grupos de pesquisa através da discussão e da crítica colegiada.

 

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Curiosamente, no momento em que me deparava com a escrita deste editorial, estava em uma viagem pela cidade de Brasília, juntamente com 7 alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo. Justamente a cidade retratada pelo fotógrafo que marcou as aparições do primeiro número da revista, Michel Gautherot, que a fotografou enquanto ainda era um canteiro de obras. Quiçá um dos maiores já montados na história mundial.

Juntos vivemos o desafio de sermos pedestres nesta cidade onde os carros andam corbusiantes em linhas retas, enquanto as pessoas continuam em linhas curvas.

 

Olhando Brasília de perto é possível enxergar uma cidade de anônimos perambulando entre os monumentos. Aliás, o próprio concreto que formaliza estas criações arquitetônicas – que, mesmo 60 anos depois, ainda são futuro – estão recheados de mãos, pés e rostos: trabalho.

 

Esta cidade nos coloca de forma explicita a dualidade entre as possibilidades e os limites do urbanismo. Na cidade planejada, atualmente 50% das ocupações são irregulares. Territórios da precariedade. Os próprios operários construtores do sonho modernista não encontraram lugar nesta cidade. Assim formaram-se as primeira cidades-satélite, com aqueles que não cabiam na cidade planejada. Como pode o construtor não ter lugar no resultado de seu trabalho?

 

Dialogando com nossa marca (edifícios que nascem de uma botina de pedreiro), vemos nas desigualdades de Brasília os rastros das botas daqueles que a construíram. Os operários cujos ecos do trabalho nos chegam através dos escritos de Sérgio Ferro, de onde partiu a inspiração para a escolha do nome deste periódico: o canteiro e o desenho.

 

Mas o canteiro também remete ao efêmero. Aquilo que existe para um fim e depois se decompõe, desmancha no ar. Efêmero, em maior ou menor grau, tal qual nossos desejos, nossa crenças, nossas teses, nossa vida; a vida na cidade contemporânea. Nos colocamos então a questão de como planejar diante do efêmero? Como planejar sem negar a espontaneidade da cidade? Planejar é preciso, viver não é preciso, parafraseando a música cantada por Caetano.

 

O caminho que mantemos como necessário e certeiro para construção de uma cidade melhor é o dos estudos teóricos e práticos acerca do urbano. Sempre lembrando que não basta estudar a cidade, é preciso transformá-la. Calçar as botas de cidadão.

 

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Na revista, vocês encontrarão 5 seções de atualização anual formadas por trabalhos que nos foram enviados e posteriormente avaliados para publicação. São estas Ensaios Urbanos, Projetos, Inconclusão em Curso, Experiência e Janela. Há ainda seções mantidas pelos colaboradores da revista, estas com atualização constante: Frestas, Entrevistas e Entreversos e Eventos.

 

Eu não poderia passar pela escrita deste editorial sem agradecer às pessoas responsáveis por esta revista existir. A começar pelos professores colaboradores, membros do Conselho Editorial, principalmente pelo auxílio com as revisões e pareceres sobre os trabalhos enviados. São eles Gabriela Moraes Pereira, Michelle Benedet, Eduardo Nogueira Giovani, Leandro Leite, Jader Afonso Savi Mondo e Adriana Fabre Dias. E, principalmente, aos alunos que de forma voluntariosa e extremamente dedicada e responsável me ajudaram: Anaize Jacinto, Jéssica Marioti Borges, Morgana Cristina de Oliveira, Géssica Aline Heinick, Elisa Kuhn, Tamini Cavalcante Elias, Ricardo José Camera, Joyce Anacleto Eufrazio, Bruno Mendes Espíndola, João Paulo Motta e Fabiano Bernardes.

 

Obrigada, por fim, aos autores que nos confiaram seus escritos e criações. Porque os escritos, mesmo os acadêmicos, são sempre uma espécie de confissão.

 

Prof. Renata Rogowski Pozzo

Coordenadora do Conselho Editorial da Revista Canteiro

Brasíia DF; Laguna SC

Setembro de 2014.